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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Sem morada e código postal

O que leva alguém a morar nas ruas?... O que leva este alguém a querer tornar-se esquecido, vivendo num chão e tecto de todos. Tecto estrelado, chão frio, rostos enrugados sem brilho, sem vontade, sem objectivos, sós, totalmente sós. Perdem a identidade, procuram esquecer quem foram, procuram esquecer quais os rostos que os acompanharam, procuram esquecer o calor de um abraço, o calor de um sorriso que nos é familiar. Parecem querer deixar de sentir, os dias ficam despidos de metas, de obrigações. Obrigam-se a esquecer que existem, querem passar incógnitos e vivem por viver. Que agruraras, que dependências, que infortúnios lhes entraram pela vida adentro, causando mossas, a ponto de se quererem isolar, esquecer e desistir. Pensamos ser um processo longo ou uma catadupa de folhas que vão caindo e que desconhecem o caminho para regressar, filas de perdas e de fracassos que levam à ruína, à solidão, à rua sem morada e sem código postal. E nós passamos por eles, vimo-los na televisão, fingimos não ver, dói enquanto estamos perto esquece-se quando caminhamos e os deixamos para trás. Gente sem idade, que não vive, apenas sobrevive a um dia-a-dia só, leve pela pequena bagagem mas pesado pelo esquecimento, pela solidão, por aquilo que já não são e que tentam tapar de si e de nós.


publicado por teladosentir às 21:09

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3 comentários:
De Serip a 19 de Janeiro de 2009 às 12:03
Pela errática forma de estar, pela abstracção e o egoísmo que tomaram conta das nossas vidinhas de cidadãos bem comportados, que por pagarem impostos, pensam que está tudo feito. Quantos desses seres, vegetativos, porque não aparecem do nada, um dia tiveram valores, uma mãe e quantos um filho, numa sociedade de consumo deixámos que tudo perdessem. Temos que fazer melhor?


De Anónimo a 31 de Janeiro de 2009 às 00:27
Por vezes também me pergunto o porquê dessas situações e sei que muitas têm causas pessoais e sociais que aborda no seu texto. Mas o que se passaria com o meu tio vagabundo?

Tive um tio, irmão da minha avó materna que era vagabundo. Calcorreava as estradas sem pretender chegar a qualquer lado. Dormia pelas beiras do caminho enrolado numa manta suja e esburacada ou nos palheiros, quando lhe davam abrigo. Comia o que lhe davam, quando podia não quando tinha fome. De tempos a tempos, aparecia lá em casa. A minha mãe começava por lhe dar comida que ele devorava. Depois dava-lhe uma roupa do meu pai e mandava-o tomar banho. Era com relutância que lhe obedecia. Só depois é que era permitido que as crianças se aproximassem dele, o que fazíamos com prazer, encantados por ouvir as suas histórias. Ficava alguns dias embora prometesse ficar de vez. Um dia partia como chegara. Sem aviso. Claro que estes factos datam de há muitos anos.
Peço desculpa por me ter alongado.


De teladosentir a 1 de Fevereiro de 2009 às 23:00
O seu tio parecia fugir de si mesmo, de vínculos, procurando contrariar a saudade, a falta e as relações. Aparecia sem ser esperado e partia da mesma maneira. Pessoa corajosa que tem-se a si como companheiro fiel e que não é de ninguém!


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